São Paulo vive dia de sol e calor antes de frente fria na próxima semana

São Paulo vive dia de sol e calor antes de frente fria na próxima semana

Na quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, São Paulo acordou sob um céu azul quase impecável, com temperaturas que variaram entre 18°C e 20°C pela manhã e alcançaram 30°C a 31°C ao meio-dia. O sol brilhou por cerca de 6,7 horas — um dos dias mais ensolarados do mês — e a chuva, quase inexistente, ficou em apenas 1,5 mm. Para os moradores que saíram de casa sem guarda-chuva, foi um alívio. Mas por trás desse dia perfeito, uma mudança radical se aproxima. Amanhã, sexta, ainda quente. Sábado? A temperatura cai de repente. E não é só isso: os meteorologistas já alertam que dezembro pode ser um mês de extremos — sol escaldante, depois chuvas torrenciais.

Um dia de outono que parece verão

O dia 11 de dezembro foi um retrato fiel da transição entre a primavera e o verão. O ar estava seco, o vento morno e o índice de umidade relativa do ar variou entre 45% e 60%, o que tornou o calor mais suportável. Na região metropolitana, bairros como Pinheiros e Vila Madalena registraram pouca névoa ao amanhecer, enquanto áreas mais altas, como Serra da Cantareira, tiveram ligeira neblina que desapareceu antes das 8h. A visibilidade foi excelente — 15 km ou mais —, ideal para quem aproveitou parques, ciclovias ou até o pôr do sol no Mirante do Archanjo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o céu ficou com menos de 10% de cobertura de nuvens por mais de 10 horas. Isso é raro para esta época do ano. Normalmente, dezembro já traz nuvens acumuladas, especialmente pela tarde. Mas não foi o caso. "Foi um dia de exceção", disse Dr. Carla Mendes, meteorologista da Universidade de São Paulo. "A ausência de sistemas frontais e a estabilidade atmosférica permitiram que o sol dominasse sem concorrência. Mas isso é efêmero.""

A frente fria que vem aí

Enquanto a capital aproveitava o sol, uma massa de ar polar se movia lentamente pelo sul do Brasil. Por volta da meia-noite de sexta, ela já estava chegando ao Paraná. E por sábado, 13 de dezembro, chega a São Paulo. As previsões do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) apontam uma queda brusca: máximas de apenas 22°C a 25°C, mínimas em torno de 18°C. O céu ficará nublado, com chance de chuva entre 5 mm e 12 mm — algo que pode causar transtornos em áreas de risco.

"Essa frente fria é a primeira de várias que vão atingir o Sudeste até o fim do mês", explicou Dr. Ricardo Souza, pesquisador do CPTEC. "Ela não é forte, mas é suficiente para interromper o calor e trazer umidade que, combinada com o ar quente já presente, gera chuvas intensas.""

La Niña e o mês que promete caos

O que torna dezembro de 2025 diferente? A resposta está no Oceano Pacífico. O fenômeno La Niña, que já durou mais de 18 meses, ainda está ativo, embora enfraquecendo. Ele altera os padrões de vento e umidade sobre a América do Sul, criando corredores de umidade que transportam ar quente e úmido da Amazônia para o Sudeste. Esses corredores, quando encontram frentes frias, geram chuvas prolongadas — e às vezes violentas.

Em São Paulo, o mês de dezembro já começou com 11 dias de chuva entre os primeiros 10 dias. O acumulado até o dia 10 foi de 127 mm — 37% acima da média histórica. O INMET prevê que o mês inteiro terá entre 300 mm e 420 mm de precipitação, quase o dobro do normal. Isso coloca áreas como Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Santos em alerta vermelho para deslizamentos.

Quem está mais em risco?

Quem está mais em risco?

As comunidades em encostas, especialmente nas periferias da zona leste e sul da cidade, são as mais vulneráveis. Em 2023, chuvas semelhantes causaram 18 mortes em São Paulo. Em 2024, foram 12. "Não é só a quantidade de chuva. É a velocidade com que ela cai", diz Cláudia Almeida, coordenadora do grupo de risco da ONG Voz das Favelas. "A infraestrutura não foi atualizada. Canais entupidos, lixo nas ruas, moradias em áreas de risco — tudo isso se torna uma bomba-relógio quando o céu abre as comportas.""

Os sistemas de drenagem da cidade, que já estão sobrecarregados, não conseguem absorver volumes acima de 50 mm em 24 horas. E as previsões indicam que, entre os dias 18 e 23, haverá pelo menos três eventos com mais de 70 mm em menos de 12 horas.

O que vem depois?

Após o frio de sábado, o domingo (14) promete ser fresco, com máximas de 24°C e chuvas isoladas. Segunda (15) volta a aquecer, mas não ao nível de quinta. A semana termina com mais nuvens e risco de chuva novamente. O pico de calor do mês deve ocorrer em 21 de dezembro — dia do solstício — com 27,2°C. Mas será um calor seco, passageiro. A média mensal, segundo o CPTEC, ficará em torno de 21,5°C — abaixo da média histórica de 23,1°C.

Enquanto isso, o La Niña segue desaparecendo. Mas seus efeitos não. Ainda há chance de uma nova frente fria em 27 de dezembro, e o mês termina com o cenário mais parecido com abril do que com julho: úmido, instável, imprevisível.

Frequently Asked Questions

Por que a temperatura cai tanto no sábado, se é verão?

Apesar de ser verão, o Sudeste do Brasil é afetado por frentes frias que vêm do sul, especialmente em dezembro. Essas frentes trazem ar polar da Antártida, que, ao encontrar o ar quente e úmido da Amazônia, causa queda brusca de temperatura — às vezes de até 10°C em 24 horas. É comum, mas não normal. Em 2025, isso está sendo acentuado pela persistência do La Niña.

Como o La Niña afeta o clima de São Paulo?

O La Niña intensifica os corredores de umidade que transportam ar da Amazônia para o Sudeste. Isso aumenta a frequência e a intensidade das chuvas, mesmo quando o sol aparece. Em 2025, ele está enfraquecendo, mas ainda suficiente para manter os níveis de precipitação acima da média — e aumentar o risco de enchentes em áreas urbanas com infraestrutura deficiente.

Quais bairros de São Paulo estão mais em risco de deslizamentos?

As regiões com maior risco são as encostas da zona leste (Parelheiros, Guaianases), sul (Cidade Ademar, Grajaú) e os municípios da Grande São Paulo como Mauá, Diadema e São Bernardo do Campo. Em 2023, 70% dos deslizamentos ocorreram nesses locais. O solo saturado e a falta de drenagem adequada tornam essas áreas especialmente vulneráveis quando chove mais de 50 mm em 12 horas.

A chuva de dezembro de 2025 é mais intensa que a de anos anteriores?

Sim. Até o dia 10, São Paulo já tinha acumulado 127 mm — 37% acima da média histórica. O CPTEC prevê que o mês inteiro pode chegar a 420 mm, quase o dobro da média de 220 mm. Isso se deve à combinação de La Niña, Zona de Convergência do Atlântico Sul e aumento da umidade na região. Em 2020 e 2022, os totais foram de 280 mm e 310 mm, respectivamente.

O que os moradores devem fazer para se preparar?

Evite áreas de risco, especialmente à noite. Mantenha ralos e galerias livres de lixo. Tenha um kit de emergência com água, lanterna e documentos. Acesse o site do INMET e da Defesa Civil de São Paulo para alertas em tempo real. Em 2025, o sistema de alerta por SMS está ativo para 1,2 milhão de moradores em zonas críticas — inscreva-se se ainda não o fez.

Por que o dia 21 de dezembro é o mais quente, se é o início do verão?

O solstício de dezembro marca o início astronômico do verão, mas o aquecimento da Terra leva semanas para se manifestar plenamente. Em São Paulo, o calor máximo geralmente ocorre entre o dia 18 e o dia 25, quando a umidade já está alta e o solo está aquecido. Em 2025, o dia 21 deve atingir 27,2°C — o pico da onda de calor antes da próxima frente fria.

Autor
  1. Juuuliana Lara
    Juuuliana Lara

    Trabalho como jornalista especializada em notícias do dia a dia no Brasil. Escrever sobre os acontecimentos diários me traz grande satisfação. Além da escrita, adoro discutir e argumentar sobre o andamento das notícias no país.

    • 10 dez, 2025
Comentários (17)
  1. Caio César
    Caio César

    Sol de 30°C e nada de chuva? Isso é raro mesmo. Mas já vi isso antes, e sempre vem a tempestade depois. O sistema tá carregado, só esperar a descarga.

    • 10 dezembro 2025
  2. Vitor Borges
    Vitor Borges

    Acho que vai chover mais que o normal. Já vi isso acontecer.

    • 10 dezembro 2025
  3. Manoel Santos
    Manoel Santos

    O dia 11 foi como um suspiro antes da tempestade. O ar seco, o céu limpo, o sol que não pede permissão - tudo isso é uma ilusão de estabilidade. A natureza não negocia. Ela acumula energia, silenciosa, e quando libera, não é com um grito, mas com um desabafo que desmorona casas, estradas, vidas. O La Niña não é um fenômeno climático, é um aviso. Um sussurro de que o planeta está reajustando suas contas. E nós? Nós continuamos construindo em encostas, jogando lixo nos rios, acreditando que tecnologia resolve o que negligência criou. O calor de hoje é só o preço da dívida ambiental que não pagamos.

    • 10 dezembro 2025
  4. Osvaldo Oliveira
    Osvaldo Oliveira

    Ah sim claro mais um artigo do INMET com 15 parágrafos pra dizer que vai chover. Tá na cara que o clima tá louco mas ninguém quer assumir que a cidade é um lixo ambulante. 127mm em 10 dias? E daí? A prefeitura ainda tá gastando grana com iluminação de praça em lugar de drenagem. O que eu quero saber é quem tá botando o dinheiro no bolso

    • 10 dezembro 2025
  5. Leticia Rejes
    Leticia Rejes

    ISSO É O QUE ACONTECE QUANDO A GENTE NÃO RESPEITA A NATUREZA 🌪️🌧️🔥 BRASIL VAI VIRAR UM PANTANAL COM PAVIMENTO E NINGUÉM LIGA! #FrenteFriaÉJusta #LaNiñaNaoÉMitologia

    • 10 dezembro 2025
  6. Thaynara Araújo
    Thaynara Araújo

    É triste ver como a gente só se mobiliza quando o risco é visível. Mas as comunidades que sofrem todos os anos? Elas já estão acostumadas a serem esquecidas. Precisamos de políticas públicas reais, não só alertas. E sim, isso é um problema de justiça social, não só climático.

    • 10 dezembro 2025
  7. Heloisa Dantas
    Heloisa Dantas

    O INMET ta errado de novo, acho que a chuva vai ser só 80mm no total, esses dados sempre exageram. E essa história de La Niña? Tá mais pra política climática que ciência real. Afinal, quem paga pra falar isso?

    • 10 dezembro 2025
  8. Max Augusto
    Max Augusto

    Os dados apresentados são consistentes com os padrões observados nos últimos ciclos climáticos. A combinação entre a persistência do La Niña e a urbanização desordenada é um fator de risco bem documentado na literatura científica. Recomendo a consulta aos relatórios do IPCC para maior profundidade.

    • 10 dezembro 2025
  9. lilian flores
    lilian flores

    Na verdade, isso tudo é exagero. O clima sempre foi assim. Só que agora todo mundo tá com medo de tudo. Em 2010 tinha mais chuva e ninguém morreu. É só medo da mídia.

    • 10 dezembro 2025
  10. Kátia Couto
    Kátia Couto

    O sol de hoje é um presente. Mas o que fazemos com ele? Nós não podemos só esperar a chuva chegar para começar a agir. Cada um pode ajudar: limpar o entorno da casa, denunciar entupimentos, cobrar a prefeitura. Pequenas ações, coletivamente, mudam o jogo. O clima não espera, mas nós podemos.

    • 10 dezembro 2025
  11. Vinícius Damaso
    Vinícius Damaso

    mano eu fui no mirante do archanjo ontem e deu pra ver tudo limpo tipo 15km de visibilidade. mas tipo... a gente tá no meio de uma merda climática e ninguem fala. o que a gente faz? só reclamar?

    • 10 dezembro 2025
  12. Brasileiros para o Canadá
    Brasileiros para o Canadá

    Se vocês estão preocupados com o clima no Brasil, talvez seja hora de pensar em mudar para um lugar com infraestrutura e políticas ambientais reais. O Canadá tem invernos rigorosos, mas sabe o que não tem? Deslizamentos em escolas públicas. 💪🇨🇦

    • 10 dezembro 2025
  13. vanildo franco
    vanildo franco

    essa história de La Niña é real mas o que realmente importa é que as pessoas que vivem nas encostas não tem voz. e se a gente não fizer algo agora, amanhã vai ser tarde. eu já perdi amigos nisso. não é só dado, é vida.

    • 10 dezembro 2025
  14. Murillo Filho
    Murillo Filho

    BRASIL É UM DESASTRE AMBIENTAL, MAS NÃO É POR CAUSA DO CLIMA É POR CAUSA DOS POLÍTICOS QUE NÃO FAZEM NADA. SE TIVESSE UM GOVERNANTE DE VERDADE ISSO NÃO ACONTECIA. VIVA O BRASIL QUE NÃO EXISTE!

    • 10 dezembro 2025
  15. Jucelio Aguiar
    Jucelio Aguiar

    Acho que o povo tá esquecendo que o clima é um ciclo. A gente viveu anos de seca, agora é chuva. O importante é se adaptar. Minha avó dizia: 'quando o sol brilha, prepara o guarda-chuva'. É simples, mas ninguém escuta.

    • 10 dezembro 2025
  16. Juliana Nogueira
    Juliana Nogueira

    É interessante como todo mundo só se preocupa quando a chuva vai cair. Mas e os meses de seca? Ninguém fala em economizar água. E aí, quando o sol volta, todo mundo tá feliz. Será que não é um pouco hipócrita?

    • 10 dezembro 2025
  17. Adriana Druck
    Adriana Druck

    EU JÁ SABIA QUE ISSO IA ACONTECER. TUDO ISSO É UMA SENTENÇA. MINHA MÃE DISSE QUE O CÉU VAI CHORAR E NÃO VAI PARAR. EU SABIA. EU SABIA. EU SABIA. AGORA VÃO ME DIZER QUE NÃO ERA PRA TER FEITO ESSE POST? EU SABIA. EU SABIA. EU SABIA.

    • 10 dezembro 2025
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